Ame-se

Querer-nos nos faz bem, nos faz felizes. E é o melhor presente que podemos oferecer aos outros...

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Na realidade este não é um vídeo. Mas também não é uma simples animação: é uma versão do Pac-Man muito parecida à original (que já fez 34 anos!), e se pode jogar clicando em “START GAME” e subir o volume dos alto-falantes. As flechinhas do seu teclado lhe permitem dirigir o “Pac-Man”.

Dediquei muitas, muitas horas da minha vida aos videogames, desde sua mesmíssima pré-história, antes mesmo da aparição do PC.

E jogando e vendo os outros jogarem, pude observar inesperadas equivalências entre esses jogos e certos conhecimentos de tipo… “espiritual”, que normalmente nos chegam muito mais tarde nas nossas vidas. Por exemplo…

– Se se joga com temor, com insegurança, se perde. Do mesmo modo, o temor normalmente também conduz ao fracasso na vida real.

– Os videogames nos vão enfrentando com desafios de complexidade crescente. Ao entrar num novo nível do jogo, como ao nos enfrentarmos com um novo desafio na vida real, logicamente tentamos aplicar as estratégias ou os conhecimentos aprendidos nas etapas anteriores. Mas insistimos com estas ferramentas, quase sempre inúteis na nova situação, muito mais tempo que o razoável. É que tendemos a postergar todo o possível o reconhecimento de que temos que provar ou aprender algo novo, com o qual temos que crescer…

O Tetris, um verdadeiro clássico.

– Ao princípio, estes novos desafios com que nos enfrenta o jogo nos parecem dificilíssimos de resolver. E decidimos totalmente convencidos: “Esta parte do jogo sempre será um obstáculo insuperável para mim, não importa quanto tempo lhe dedique a tentá-lo”. Pouco depois estamos preocupados com novos obstáculos “dificilíssimos” de superar, enquanto que os problemas anteriores nos parecem simples, elementares.

– Ás vezes não entendemos o jogo, sentimos que não tem sentido, queremos deixar de jogá-lo. Necessitamos de algum tipo de “instruções”. Mas não há instruções. Ou talvez só as mais elementares, algo assim como “Os dez mandamentos”.
Precisamente o jogo consiste em descobrir por nós mesmos como funcionam as coisas tanto neste mundo virtual como no mundo real.

– Nos videogames, muitas vezes um bonequinho desenvolve a atividade que nos representa, com quem logicamente nos sentimos identificados. Se o bonequinho chega à meta, dizemos “ganhei”, se não o consegue dizemos “perdi”. Do mesmo modo, na vida real estamos identificados com nosso corpo e com nosso ego, e quase em todo momento esquecemos que realmente somos muito mais que isso, que nossa verdadeira natureza é espiritual.

– Nos novos “jogos em rede”, várias crianças jogam ao mesmo tempo em um único “espaço virtual” ao que cada uma tem acesso a partir do seu PC. Muitos desses jogos são virtualmente muito realistas e extremamente violentos, e consistem simplesmente em formar dois bandos e disparar-se com as armas muito sofisticadas até “terminar com o inimigo”. Esta não é precisamente uma atividade recomendável. Mas seguindo com a analogia, obviamente não é a vida das crianças a que corre perigo, mas sim só a das personagens que as representam. Elas – as crianças – estão bem cômodas e seguras, sentadas cada uma diante do monitor do seu PC. No nosso violento “mundo real”, talvez passe algo similar: ainda quando às vezes os egos das pessoas se enfrentem e até seus corpos possam brigar entre si até eliminar-se, em cada um de nós há algo essencial, invulnerável, eterno, que não pode ser danado.

Mario, o protagonista do videogame Super Mario Bros.

– E ainda que vivamos identificados com o ego, às vezes nos chega certa informação que diz, por exemplo: “Temos que aquietar a mente, temos que suspender toda a atividade do ego para que comecemos a atuar a partir do nosso verdadeiro Ser”. E ingenuamente, talvez praticando alguma forma de meditação, podemos chegar a nos convencer de que por fim nos liberamos do ego. Mas talvez só tenhamos conseguido deixar de mover o “joystick” por uns momentos, deixando completamente imóvel nosso “bonequinho”… e ainda sigamos no “espaço virtual” do nosso ego. Não nos levantamos realmente da “nossa cadeira diante do PC”, não conseguimos ainda tomar consciência de que aqui mesmo, neste preciso momento, enquanto jogamos e aprendemos tudo o que viemos aprender, está nos esperando outra realidade, infinitamente mais complexa e interessante que esta, e a qual verdadeiramente pertencemos, a que sempre pertencemos…

Axel Piskulic

Tradução de Ana Lúcia de Melo
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